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Lisboa Counselling
2. Violência Doméstica — Características da Situação

Violência doméstica não deve ser confundida com conflitos nem com desentendimentos. Ela é caracterizada pela pressão intencional que um membro do casal exerce sobre o outro, de uma forma destrutiva, não respeitando as suas ideias nem opiniões.

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Isolamento

Em quase todas as situações de VD, a vítima é sistematicamente afastada da sua família e amigos, de forma a ficar mais vulnerável e à mercê do seu agressor. Ele controla coisas tão básicas como o que ela faz, o que vê, com quem fala ou onde vai. Usa os ciúmes para justificar as suas acções, muitas vezes apontando-os como uma prova de que a ama. No entanto, o único objectivo é manter o poder e o controlo.

 

Abuso emocional

Há um grande investimento na desestruturação emocional dela. Ele deita-a abaixo, a ela e a tudo o que ela faz. Chama-lhe nomes e insulta-a. Faz com que ela se sinta mal acerca de si própria e culpada de tudo o que acontece. Humilha-a, mesmo em frente de outras pessoas. Tenta confundi-la e faz com que ela pense que está louca, podendo pressioná-la para ir ao psiquiatra ou mesmo tentando interná-la por distúrbios psíquicos.

 

Papel de macho

Trata-a como um ser naturalmente inferior e toma todas as decisões sozinho, como se isso fosse a atitude óbvia a ter. Muitos podem ter estas atitudes mascaradas de sentido de humor, mostrando-se exageradamente machistas na presença dos amigos mas, na verdade, estando a ter as mesmas atitudes que têm quando estão sozinhos. Neste caso, o facto de os amigos acharem que ele está a “armar-se” em mauzão, é usado para a convencer que eles nunca acreditariam nela se ela lhes contasse o que se passa.

 

Intimidação

Há uma pressão emocional constante, um ambiente de terror permanente, em muitos casos só percebido pela própria vítima. Ele aterroriza-a através de palavras, acções, gestos, fazendo com que ela viva num medo constante de fazer “a coisa errada”, de fazer alguma coisa que vá provocar retaliações ou vingança dele.

Alguns agressores podem ter atitudes de intimidação mais visíveis, atirando com portas, partindo objectos ou destruindo coisas dela.

Importante — o agressor não perde a cabeça nem se descontrola (embora possa parecer que está completamente fora de si). Todas as cenas são intencionais e têm o objectivo de intimidar. Num dos próximos artigos, irei desenvolver mais este aspecto.

 

Coerção e ameaças

Nas situações de VD há sempre um ambiente de ameaças, abertas ou camufladas. Muitos agressores ameaçam a sua vítima de a deixar, embora não tenham qualquer intenção de o fazer. Aliás, a maioria dos agressores não permite o divórcio, o que leva algumas vítimas a criar planos mirabolantes (e por vezes muito arriscados) para conseguirem escapar dessa situação.

Também pode ameaçá-la de cometer suicídio, de a matar, de raptar ou matar os filhos, etc.

É frequente o agressor obrigar a sua vítima a fazer coisas erradas ou ilegais, de forma a manter o seu poder sobre ela.

 

Minimizar, negar e acusar

A vítima é vista, por vezes até pelas outras pessoas, como demasiado sensível ou exagerada. O agressor defende que as suas atitudes não têm qualquer gravidade ou chega mesmo a negá-las, por vezes como mais uma estratégia para levar ao desequilíbrio mental e emocional dela

— dizendo que uma pessoa normal (como ele) nunca teria essas atitudes; que ela está a imaginar coisas ou com alucinações; que isso é evidência de que ela não está bem da cabeça, etc.

Perante o seu comportamento agressivo, o agressor pode dizer que a culpada é ela, que o fez “perder a cabeça”. Alguns dizem mesmo que é ela que os agride, que eles é que são as vítimas. Por mais incrível que pareça, muitas vítimas de VD acreditam que são realmente elas as agressoras. Já várias pessoas nesta situação procuraram os meus serviços, para as ajudar a deixarem de agredir o seu conjugue. Estas normalmente são situações de gravidade extrema, com um alto nível de confusão e áreas em que a pessoa já não consegue ter uma noção clara da realidade. Muitas destas vítimas acreditam que estão a enlouquecer e vivem num estado de terror permanente que têm a certeza que nunca irá mudar.

 

Uso dos filhos

Como iremos ver mais à frente, o agressor é uma pessoa fria, calculista e sem quaisquer escrúpulos. Os únicos limites que tem, são para não ser “apanhado”. Então, ele não tem qualquer problema em usar os filhos como uma das suas ferramentas de agressão.

Ele faz com que a sua vítima se sinta culpada em relação aos filhos, acusando-a de ser uma má mãe, de ser incapaz ou mesmo de maltratar os filhos. Ele tem atitudes de abuso para com os filhos, de forma a agredir a mãe. Assim, ele leva-a a fazer ou deixar de fazer determinadas coisas, para proteger os filhos das retaliações e vingança dele.

 

Violência doméstica é uma das situações mais desumanas que podemos encontrar. Aí, o teu agressor não é um estranho, um criminoso nem mesmo um terrorista, mas aquele que devia ser o teu parceiro, o teu ajudador. E a tua casa, que deveria ser o teu ponto de refúgio, torna-se o local onde vais sendo morta/o, pouco a pouco, até não seres mais do que um farrapo humano.

Mas essa situação pode mudar. O LisboaCounselling existe para te orientar e apoiar ao longo desse processo, numa abordagem de baixo risco. Contacta-nos!

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