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4. Violência Doméstica — Diferentes Níveis de Gravidade

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No mesmo tipo de atitude ou comportamento, pode haver níveis de crueldade muito diferentes, variando por isso também o nível de risco e o poder destrutivo do agressor.

 

E qual a importância disso? 

O nível de crueldade do agressor tem consequências directas em alguns aspectos, nomeadamente:

  • A extensão da destruição interior — O impacto sobre a vítima não tem tanto a ver com a acção do agressor, mas com a crueldade que está por detrás dela. Um agressor mais cruel, consegue um impacto devastador com um pequeno gesto.
  • A possibilidade de mudança — Nos níveis mais graves de agressão, não há mudança possível,  não por incapacidade do agressor, mas porque ele não está disposto a isso.
  • O risco — Este também varia consoante o perfil do agressor.

 

Níveis de gravidade

Há mais de 3000 anos, o rei Salomão, no seu livro de Provérbios, faz uma análise do interior do ser humano, que eu considero a que nos ajuda a definir, de forma mais clara e prática, os níveis de gravidade em VD. O que ele refere não são as atitudes, mas principalmente o que está por detrás delas, a motivação do coração do agressor.  Ele considera três níveis, aos quais ele chama o simples, o insensato e o perverso.

 

1. Simples 

Quer ter o que os outros têm. Característica principal — inveja.

Ele deseja e acha que merece o que os outros têm, e exige o que deseja. Ele exige satisfação imediata naquilo que quer. A inveja também se pode manifestar em relação a relacionamentos — ele inveja e ressente-se de que outros tenham relacionamentos mais significativos ou interessantes do que ele.

Ele ignora os sinais que o podem alertar de perigo, tendo uma propensão para caminhar para o perigo e fazer asneira.

 

2. Insensato

Quer ser adorado e obedecido. Característica principal — ira.

Ele é arrogante e centrado em si próprio. Usa a arrogância para esconder a sua imensa fragilidade. O que o “enche” é o som da sua própria voz.  Os seus momentos de ira são intensos e intimidantes. A sua ira é sempre mais intensa do que seria apropriado, como uma luta que só está à espera de um pretexto para explodir. É uma ira quente, que vem depressa e passa depressa. Impulsivo e sem grande auto-controlo. Usa a sua ira para intimidar e exigir. É repetitivo, capaz de pedir perdão pelo mesmo erro vezes sem conta e voltar sempre a fazer o mesmo.

 

3. Perverso

Quer escravizar e destruir. Característica principal — frieza e crueldade.

Deleita-se no terror destrutivo de controlar e depois consumir a sua vítima. Ele não sente a dor do outro, mas tem uma alta percepção da vergonha, medo e solidão no outro, e do que provoca isso, usando esse conhecimento para melhor o escravizar e devorar. A sua capacidade de não sentir, permite-lhe fazer o que quer, do tamanho que quer e quando quer. Por exemplo, ele pode fazer cenas terríveis, em que parece ter perdido completamente o controlo de si próprio e, perante uma interrupção (como o toque do telefone), ele pára a gritaria sem qualquer esforço e coloca a sua máscara de simpático, divertido ou o que melhor se adaptar à situação. Ele é o actor perfeito, estando a tempo inteiro a ludibriar os outros, mudando de papel de forma instantânea e sem qualquer dificuldade. A sua ira é fria, cruel, intencional e completamente controlada, mesmo quando ele  parece estar “de cabeça perdida”.

É capaz de fazer longos discursos, que podem demorar horas, acerca dos erros da sua vítima. Intolerante em relação a outros pontos de vista, mostra um ódio implacável e frio para com aqueles que lhe resistem ou não satisfazem os seus desejos. É especialista em fazer com que a sua vítima se sinta a causadora ou mesmo a autora do abuso. Não tem vergonha, consciência nem limites morais. Cria um ambiente de “segue-me ou estás perdido”. Exige entrega e devoção total da sua vítima. Usa a vergonha e o escárnio para trespassar até às partes mais frágeis do nosso coração.

Sendo enganadoramente subtil, ele desenvolve uma imagem de bondade, gentileza, generosidade, que enreda a sua vítima mais profundamente na sua teia. E usa esta aparente dualidade, entre o monstro e o maravilhoso, como uma das estratégias mais eficazes para levar a sua vítima a um estado de confusão e desorganização mental, que irá reduzir muito a sua capacidade de tomar alguma atitude para se libertar.

 

 

História da Maria — A mesma história, realidades muito diferentes.

“O João agride violentamente a Maria. Mais tarde pede-lhe perdão e promete nunca mais fazer aquilo. Passado pouco tempo a situação repete-se.”

Esta cena pode ter exactamente o mesmo aspecto,  nos vários tipos de agressor, mas a realidade em que essas vítimas vivem é radicalmente diferente.

INSENSATO — Se o João pertence a este “nível”, ele realmente teve um ataque de fúria. Por alguma coisa que a Maria fez, ou apenas porque ele já estava chateado e descarregou em cima dela, ele perdeu a cabeça e fez uma cena de todo o tamanho. Depois “caiu em si” e percebeu que fez asneira. Pede-lhe perdão e decide não voltar a fazer aquilo. Claro que na próxima oportunidade, ele volta a perder a cabeça e a repetir tudo.

PERVERSO — Neste nível, o João não perde a cabeça. Ele apenas “decide” fazer uma cena devastadora, para aterrorizar, controlar e esvaziar ainda mais a sua vítima. A seguir, ele coloca a outra máscara, do arrependido, podendo até chorar e mostrar uma dor profunda de remorso pelo sofrimento que lhe provocou. Mas tudo isso é uma encenação, uma estratégia para ela continuar a acreditar nele, para continuar a creditar que ele a ama e não tem intenção de lhe fazer mal, levando-a a baixar a guarda. Então, quando vê que ela está mais vulnerável, volta a atacar, com crueldade redobrada.

 

 

Conheces estas características? Seja na tua própria vida ou na de alguém próximo, tu podes começar a fazer a diferença.

Calar e permitir, não deveria nunca ser a opção!

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