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Lisboa Counselling
7. Violência Doméstica — Como Ajudar?

Tentar “salvar” um casamento, numa situação de violência doméstica, pode ser uma atitude cruel e de grande insensibilidade.

Como já vimos em artigos anteriores, violência doméstica não é o mesmo que conflitos. Então, não pode ser tratada da mesma forma. Para além disso, ajudar não é, de forma nenhuma, dizer ao outro/a o que ele/a deve fazer com a sua vida. Só a própria pessoa pode decidir o que vai ou não fazer.

Momentos leves

Pactuar 

Por outro lado, calar é pactuar e encorajar a continuação do abuso, por vezes também sobre outras pessoas como, por exemplo, os filhos. Quando vês que alguém próximo de ti está a ser de alguma forma maltratado ou pressionado, e não fazes nada, estás a ser cúmplice do agressor.

 

Riscos 

É importante teres a noção de que VD é sempre uma situação de risco. Nunca tentes convencer uma vítima de VD a manter-se na relação nem lhe dês conselhos que possam agravar a sua situação ou aumentar o risco.

Se queres ajudar, precisas de ter paciência e não pressionar nem apressar. Quem está a viver essa realidade, está numa grande pressão mental que reduz a sua clareza de ideias e capacidade de ver ou decidir. A ajuda, não deve ser no sentido de levar essa pessoa a tomar uma decisão. Há muito trabalho a fazer antes disso (a não ser que a situação te pareça de grande risco; aí deves procurar ajuda especializada).

 

Identifica 

Mantém-te atento/a a sinais de alerta (nos meus artigos anteriores há muita informação que te pode ajudar nesse sentido). Lembra-te que normalmente a vítima de VD não tem a noção da realidade que está a viver. Não adianta tentares “obrigá-la” a perceber. Isso, embora possa ser bem intencionado, acaba por ser mais uma forma de pressão sobre ela.

 

Ouve 

Não minimizes o que a vítima te diz. O que ela conta não é a sua versão exagerada… é apenas uma pequena parte da realidade.

A principal característica desta situação são os requintes de malvadez, completamente camuflados, absurdos e sempre muito difíceis de acreditar (estratégia que o agressor usa para desacreditar a vítima e fazer parecer que ela não está bem da cabeça).

Mostra-te disponível para ouvir e ajudar, mas não fiques só no nível do desabafo. Este mantém  a ferida aberta, aumentando a sensação de gravidade do problema.

 

Aspectos práticos  

Uma situação de VD vai provocando uma desestruturação progressiva na sua vítima. Então, uma forma muito prática de seres útil, é ajudando-a a organizar-se nas tarefas simples do dia a dia, nas suas rotinas; ajudá-la a começar a melhorar a sua auto-imagem; a aumentar a sua capacidade de lidar com contratempos ou contrariedades, ajudando-a a definir formas de agir nessas situações, em vez de ficar bloqueada na sensação de que tudo é culpa dela.

 

Normalidade 

Muito importante, no apoio a uma vítima de VD, é ajudá-la a recuperar a capacidade de fazer coisas leves e “banais”, usufruir das pequenas coisas, sem ter que se sentir sempre culpada de estar a fazer algo que não é suposto. Os momentos leves, conversas ligeiras e positivas, o recuperar a capacidade de rir, são aspectos que podem ajudar muito esta pessoa a manter alguma sanidade mental.

Mas não percas nunca a noção de que estás a lidar com um predador. Procura nunca colocar em risco a pessoa que estás a tentar ajudar!

 

Violência doméstica é crime. Recusa-te a seres cúmplice desse crime!

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