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Quando eu tinha perto de 10 anos plantei com a minha avó um pequenino pinheiro manso no jardim da nossa casa. Ele foi crescendo e desenvolvendo um aspecto majestoso. Passados trinta anos estava enorme e bastante mais alto do que a casa. Dava-nos sombra, muitos pinhões e abrigo para inúmeras aves que nele faziam os seus ninhos. Era conhecido e admirado por toda a gente das redondezas. Mas escondido estava a desenvolver-se um problema. A tijoleira do chão da casa começou a estalar e a adega encheu-se de água com as chuvas do Inverno. Percebemos que as raízes do pinheiro estavam a abrir brechas na parede abaixo do chão.

Deus é especialista em parábolas e ilustrações. E a forma de Ele nos ajudar a perceber a gravidade e os efeitos da falta de perdão, é comparando-o com uma raiz – a raiz de amargura. O meu pinheiro começou com uma raiz tão delicada que nos primeiros anos até uma criança poderia facilmente arrancá-lo mas, ao longo do tempo, tornou-se tão forte que foi necessário usar uma máquina. Da mesma forma, quando permitimos que a falta de perdão cresça e expanda as suas raízes no nosso coração, ela irá abrir brechas e afectar toda a nossa vida. Hebreus 12.15 diz que a raiz de amargura destrói a própria pessoa e contamina os outros.

Quando surge um conflito há uma quebra no relacionamento com a pessoa que nos ofendeu, com Deus e muitas vezes também com outras pessoas. Para ser restaurado é preciso fazer alguma coisa. A tendência, muitas vezes, é ignorar o problema ou “deixar p’ra lá” (porque é mais fácil ou porque não se sabe como lidar com ele). Mas isso não resolve o problema. O tempo não apaga o que aconteceu. Na prática, o que acontece enquanto não perdoas, é que ficas acorrentado a essa situação, por vezes completamente escravizado por ela. Deixas de ter controlo sobre os teus pensamentos, que parecem totalmente autónomos para te levar por uma viagem atormentadora e quase constante à volta desse assunto. Perdes a alegria e esse sofrimento torna-se quase (ou mesmo) o centro da tua vida. Se queres ter uma ideia da importância que a mágoa tem na tua vida, tenta observar quanto “tempo de antena” dedicas a ofensas que recebes (a pensares nelas, a falares sobre isso com outras pessoas, a orar sobre esse assunto,…)

Então, o que fazer? Há quem diga que devemos esquecer o mal que nos fazem. Mas… já tentaste esquecer? É verdade – não funciona. Quanto mais tentamos esquecer, mais vivo o assunto fica na nossa mente. E torna-se ainda mais difícil quando são pecados graves ou ofensas que se repetem constantemente.

No entanto, a Bíblia não fala em esquecer, mas em não lembrar. Não é algo passivo, como uma memória que se apaga por si própria, mas uma atitude activa; uma decisão consciente de “não lembrar”, de não ficar a mexer nisso. E quando o pensamento surge? A atitude não é mandá-lo embora mas passa, em parte, por substitui-lo – por louvor, oração para que Deus te ensine a ser um pacificador (que é diferente de ser uma pessoa passiva!), …

Quando pedimos perdão, este deve ser específico. Devemos referir concretamente o que fizemos sem tentar minimizar a nossa culpa nem passar a responsabilidade para outros – isso não é arrependimento. Arrependimento implica mostrar o desejo de restaurar o relacionamento (mesmo quando é muito difícil) e a disposição para mudar de atitude. A Bíblia fala até de restituição, no caso de danos materiais, por exemplo. Esta serve não só para compensar justamente a pessoa lesada mas também para, tanto quanto possível, “apagar os vestígios” do mal feito. À medida que se vão eliminando as imagens do sucedido, torna-se mais fácil o processo de cicatrização, de cura das feridas.

Quando alguém nos pede perdão, esse deve ser concedido, seja qual for a ofensa ou a dor causada. E lembra-te, o perdão inclui o compromisso de não voltar a mexer nesse assunto ou a atirar à cara quando a ofensa se repetir. Não é fácil, mas precisamos de ver que o perdão não é um sentimento ou uma emoção. É uma decisão de obedecer a Deus pela fé. É um processo activo que inclui fazer o bem àquele que nos ofendeu (Romanos 12.21). E é à medida que vamos fazendo o bem, que Deus vai mudando também os nossos sentimentos.

Podemos, no entanto, pensar que a ofensa que sofremos não é tão importante que seja necessário pensar em termos de confissão e perdão. Neste caso devemos perdoar perante Deus, em oração e entregarmos o assunto nas Suas mãos. Mas como é que podemos saber quando um assunto deve ou não ser falado directamente com o ofensor? Uma situação precisa de ser resolvida sempre que esse assunto esteja a desonrar o nome de Deus, a prejudicar seriamente o teu relacionamento com o ofensor ou a prejudicar alguém (incluindo o próprio ofensor). Nestas situações é preciso lidar com esse assunto, se necessário com a ajuda de alguém (um irmão com maturidade espiritual e conhecimento da Bíblia).

Perdão é um processo, não é algo que se faz de uma vez. E penso que nesse processo há três elementos muito importantes que precisam de ir sendo afinados em conjunto: arrependimento, confissão e perdão.
A Bíblia fala de fruto digno de arrependimento. Da mesma forma que nós olhamos para uma árvore e podemos ver o fruto que ela tem, o arrependimento também deve ser visível. Principalmente no caso de pecados graves, deve-se ver na vida do ofensor que há um sério empenho em mudar. Isto não se vê no momento da confissão mas depois, à medida que o tempo segue. E à medida que a pessoa vai mudando e aprofundando o seu relacionamento com Deus, muitas vezes vai-se também apercebendo que o seu pecado foi muito mais grave e com consequências muito mais sérias do que lhe parecera. Então, eu penso que vale a pena voltar a falar com o irmão lesado, não para contar mais pormenores do mal que fez, mas para mostrar que tem uma noção mais vívida do que se passou. Para o irmão lesado, isto vai mostrar um quebrantamento do coração do ofensor, o que deve levar a um aprofundamento da noção e do compromisso de perdão. Penso que é importante haver um trabalho juntos, de busca da vontade de Deus e de aprofundamento do seu relacionamento um com o outro.

Este comentário é consequência da minha própria experiência. Eu já tenho visto situações de pecados graves como, por exemplo, adultério, em que o arrependimento e confissão são bastante superficiais. E muitas vezes, verifica-se mais tarde que a situação continua sem qualquer alteração. Isto porque frequentemente há alguma confusão entre arrependimento e remorso. O não gostar das consequências do seu pecado e ter vontade de as eliminar, não tem nada a ver com arrependimento. Neste caso tem a ver precisamente com o oposto – com o desejo de continuar a fazer o que lhe apetece, desenvolvendo a capacidade de esconder ou, quando descoberto, de escapar das consequências. Quando o olhar do ofensor está mais voltado para o seu próprio sofrimento e o desconforto que o seu pecado lhe causou, do que para o sofrimento que ele provocou em primeiro lugar a Deus e também à pessoa ofendida, não podemos falar em arrependimento. E muitas vezes essa é naturalmente a primeira motivação da confissão. Por isso, à medida que o ofensor se vai apercebendo da imensa dor que causou no outro, deve confirmar o seu arrependimento e desejo de mudança.
Nestas situações mais graves o perdão também é um pouco passo a passo. A pessoa lesada precisa de algum tempo para “arrumar” essa dor, para voltar a desenvolver um relacionamento de confiança com o seu ofensor, para aprender a não ficar à defesa ou a atirar à cara o que se passou. E este processo é certamente muito mais fácil quando se pode ver que o arrependimento também está a ser um processo de aprofundamento e não um rápido “Perdoa-me. Eu não volto a fazer isso.”
Ao longo desse tempo é indispensável haver comunicação aberta, cada um ter a liberdade de ir dizendo o que sente ou o que ainda está a ser difícil. Só com abertura de comunicação e o trabalho do Espírito Santo nos nossos corações, se pode voltar a desenvolver um relacionamento de confiança onde esta foi completamente destruída.

Se estás a atravessar difíceis tempos de conflito, lembra-te que Deus está completamente no controlo dessa situação e que Ele tem um propósito para esse sofrimento. Ele quer e pode usar essa situação para bem. Ele ama-te mais do que podes entender e o Seu objectivo para ti não é o conforto, mas o crescimento espiritual e a santificação. O alvo não é escapar do problema, mas agradar a Deus e honrá-lO; aprender a conhecer a Sua vontade e a receber a Sua orientação para lidar com isso (perante uma situação grave de conflito, ficar simplesmente quieto – mesmo quando em oração – não é uma opção bíblica; Deus chama-nos a agir).

Um conflito não é um problema ou um acidente, mas uma oportunidade para obedecer a Deus, para O glorificar e para crescer e aprender com Ele. E assim te tornarás um instrumento mais útil nas Suas mãos.

in Mulher Criativa, Jan. Fev. 2009

Quando ouvimos uma afirmação ou uma pergunta que nos incomoda tanto que a consideramos absurda, vale a pena olhar para ela um pouco mais. Pela minha experiência, quando uma pessoa responde rapidamente e sem qualquer hesitação a uma pergunta incómoda, é porque está a esconder alguma coisa, normalmente de si própria.

Mesmo em relação a nós, crentes, a nossa vida espiritual não é aquilo que pensamos. Jeremias 17.9 diz que o nosso coração é mais enganoso do que qualquer outra coisa. Nós somos especialistas em nos iludirmos acerca de nós próprios, em nos justificarmos não só aos olhos dos outros, mas principalmente aos nossos próprios olhos.

Se olharmos para o Jardim usando a mesma medida com que nos avaliamos, a atitude de Eva não parecia ter nada de errado. Eles só queriam o que parecia bom e até justo. Quem parecia errado era Deus, querendo o conhecimento só para Si, não querendo que fôssemos iguais a Ele. “Que comentário mais chocante!” podemos pensar. Mas… vamos analisar mais devagar.

Quando nos queixamos, a mensagem que estamos a transmitir é que Deus não nos dá o que precisamos. Se Ele é omnipotente e omnisciente, quando não nos dá o que precisamos, é porque não quer. Então, quando nos irritamos com as nossas circunstâncias, no fundo estamos a irar-nos contra Deus. Muitos crentes vivem num constante descontentamento, reclamando de tudo. Isso mostra como estamos amargurados e ressentidos contra Deus.

Muitas vezes optamos por uma atitude mais “espiritual”, uma atitude sofredora e resignada. Mas esta também desonra Deus. Na verdade, não fazemos nada contra a nossa situação porque não podemos – Ele é mais poderoso do que nós. Assim, guardamos a mágoa bem no fundo do nosso coração. Não é muito diferente do crente que diz que “já está calejado”. Ou seja, “Deus tem permitido que me façam tanto mal, que eu já opto por aguentar e pronto”. Mais uma vez, parece que Deus está a agir de forma errada.

E quantas vezes Lhe dizemos que já não aguentamos mais! Quantas vezes Lhe perguntamos “porquê”, como se Ele tivesse que nos dar explicações! Lembras-te de Jó e da resposta de Deus para ele? É verdade! Deus é o Criador, o Senhor de todo o universo. E nós somos apenas as Suas criaturas.

Como filhos, não nos atrevemos a pensar em perdoar a Deus (isso seria heresia) mas, na prática, a nossa atitude é de que Ele está em falta para connosco. Bem no fundo do nosso coração, estamos a acusar Deus do nosso sofrimento. E torna-se ainda mais difícil quando passamos por grandes provações durante muito tempo.

Precisamos de lembrar que pecado não é só aquilo que fazemos conscientemente, mas também atitudes inconscientes. O nosso coração é enganoso e, por isso, precisamos de o examinar constantemente à luz da Palavra ( Sl 139.23-24). Precisamos de ver onde nos sentimos magoados e de perceber que essa mágoa é, em primeiro lugar, contra Deus (que permitiu aquelas circunstâncias).

Quando ouvimos algum comentário de algo que achamos que não somos, não descartemos imediatamente esse assunto. Devemos procurar perceber o que levou essa pessoa a ver isso em nós. Precisamos de nos ir avaliando ao longo de toda a nossa vida, em comparação com o que a Palavra diz. E se pedirmos isso a Deus com sinceridade, Ele vai-nos mostrando o que quer que mudemos, pouco a pouco, uma coisa de cada vez.

Precisamos de nos reconciliar com Deus (II Co 5.20). Quando percebemos que estamos magoados com Deus, a única atitude que podemos ter é prostrarmo-nos perante Ele. Não é perdoar-Lhe, mas reconhecermos que temos esse pecado e pedirmos-Lhe perdão pela nossa dureza. E então, o que é que Ele faz? Incrível! Tal como o pai do filho pródigo, Ele vem a correr ao nosso encontro, de braços abertos.

Deus é um Pai amoroso e justo que não procura o nosso conforto, mas o nosso bem e o nosso crescimento (que normalmente é o oposto de conforto). Isto leva tempo. Podemos começar por tentar desenvolver a capacidade de ver Deus nas nossas circunstâncias, sejam elas quais forem; de ver as nossas circunstâncias à luz do quadro global, da eternidade, e não apenas da nossa realidade pessoal.

Ao longo do tempo, Ele vai-nos ensinando a perceber que circunstâncias difíceis ou mesmo dramáticas, não são algo negativo. Antes, são a oportunidade para treinarmos a confiar em Deus, para O vermos agir nessa situação e para crescermos. Fé, é teres a certeza que Ele te ama (mesmo quando não parece!), de que está no controlo, de que sabe muito bem o que faz e, muito especialmente, de que Ele é bom (Salmo 73).

Deus chama-nos mordomos e não senhores. É Ele quem decide os “ingredientes” que dá a cada um de nós: dons, capacidades, circunstâncias, … Aquilo que surge na tua vida é exactamente aquilo que Deus escolheu colocar no teu caminho, nesse momento. Acreditas nisso? O alvo dEle não é simplesmente que aceitemos essas circunstâncias, mas sim que lidemos com elas à Sua maneira. Eu sei! Por vezes é tão difícil sabermos como devemos agir! Mas a resposta está em Provérbios 2. Nós precisamos de buscar a sabedoria do Senhor. E essa procura tem que ser intensa e ao longo de toda a nossa vida. Os caçadores de tesouros investem tudo o que têm e anos de vida à procura de algo valioso. É assim que Deus quer que busquemos a Sua sabedoria. E então, como qualquer mestre em relação a um aluno aplicado, Deus vai-nos dando “prémios” à medida que vamos desenvolvendo essa sabedoria. Esses prémios não serão o sossego e o conforto – isso seria uma despromoção – mas um “cargo mais elevado” – situações mais difíceis para nós continuarmos a desenvolver o nosso crescimento, passo a passo ( Rm 5.3-5).

Com cada nova situação, ou com cada agravamento da “velha” situação, o primeiro impacto leva-nos naturalmente a ficarmos magoados. Então precisamos de orar “sonda-me…” e de nos analisarmos com cuidado, talvez com a ajuda de um irmão ou irmã. “Será que no fundo do meu coração estarei a sentir que preciso de perdoar a Deus?” Isto é uma barreira real no nosso relacionamento com Ele, e só depois de a reconhecermos, Ele a removerá e nos restaurará.
In Lar Cristão, Ago a Out 2008

Há algum tempo li um artigo de David Powlison que se intitulava “Não desperdices o teu cancro!” Nós associamos a palavra desperdiçar a algo que é valioso, que é útil, que vale a pena ter e guardar. Mas em relação ao que é terrível? Como é que é possível desperdiçarmos o nosso sofrimento?

Perante a dor, o que Deus te pede não é resignação nem aceitação, mas fé – a certeza de que Ele é Soberano sobre tudo o que acontece (mesmo sobre a tua dor), de que Ele sabe o que é melhor para ti e de que Ele te ama mais do que alguma vez poderás imaginar.
Resignação ou aceitação passiva não é bíblico porque:
– é falta de fé e “sem fé é impossível agradar a Deus”.
De que tamanho é o teu Deus? A Bíblia diz que Deus é o Senhor do
Universo, mas na prática, no nosso viver do dia a dia, o nosso Deus às vezes
pode ser bem pequenino… E a maior consequência disso não é a perda de
bênçãos – é que na verdade perdemos a oportunidade de O conhecermos.
– porque é auto protecção – o mais fácil é não fazer nada.
Durante bastante tempo pensei que ser um pacificador é não fazer nada; ficar
quieto; aceitar. Mas essa forma de pensar não tem qualquer base bíblica.
Deus sempre nos chama a agir, a ter uma atitude activa, a obedecer aos
Seus ensinamentos.
– porque é covardia, falta de coragem para seguir o caminho que Deus mostra.
mas Ele “não nos deu um espírito de temor mas de fortaleza”
– porque é auto compaixão, pretexto para o queixume.

É importante lembrarmos que o nosso sofrimento pertence a Deus, que é um instrumento do Seu propósito em nós e nos outros, e não procurarmos “usufruir” da nossa dor (por exemplo para obtermos a atenção e piedade dos outros, para justificarmos as nossas próprias atitudes erradas, para nos livrarmos de determinados deveres, etc.)

Então, perante o sofrimento, qual é a atitude que Deus quer que tenhamos? Que confiemos na Sua soberania e direcção. Que busquemos um relacionamento mais profundo com Ele e aprendamos a conhecê-lO melhor. Que sejamos fiéis mesmo quando não entendemos. Que desviemos o olhar do nosso eu para Ele, de nós próprios para os outros, porque “fomos confortados, para também confortarmos os outros”. À nossa volta há pessoas que sofrem. Quando lhes levamos o conforto e a esperança de Deus a nossa dor fica mais pequena, passa a ser vista como uma oportunidade de crescimento, de testemunho, de trazer glória a Deus.

Se tu “permitires”, Ele irá tornar a tua dor em lucro. E Ele já fez isso. Ele tornou o maior dos horrores (afinal os Seus seguidores foram abandonados perante a vergonha de uma cruz), no maior dos bens (juntos com Ele, inseparáveis, para sempre).
Deus pode tornar a tua dor em lucro!

Perante um problema tens sempre duas opções: entregares-te à auto piedade e ao ressentimento ou aceitares caminhar com Deus. O autor de Hebreus, em 11.39, diz-nos que os grandes heróis da fé não viram a concretização da fé enquanto ainda estavam vivos. É isso que Deus te desafia a fazer: caminhares no sofrimento pela fá, sem esperares ver o livramento nesta vida. À luz da eternidade, é totalmente irrelevante que o nosso problema actual seja removido ou não.

O objectivo de Deus nem sempre é tirar a nossa dor. Ele diz que a oração de um justo tem poder. Mas o objectivo da oração não deve ser pedir bênçãos e tentar ter uma vida menos difícil. A oração é, acima de tudo, o desenvolver de um relacionamento com Ele. O mais importante não é agradecer e pedir, mas procurar conhecê-lO, procurar discernir os Seus propósitos. Eu sempre fico maravilhada quando penso que Ele, o Grande Eu Sou, quer passar tempo connosco. Ele quer dar-Se a conhecer a nós. E mais… Ele quer mostrar-nos os Seus propósitos e convidar-nos a nos juntarmos a ele no Seu trabalho. Que honra! Então, a pergunta certa nunca será “Porquê?” e muito menos “Porquê eu?”, mas sim “O que é que Tu estás a fazer? Qual é o Teu plano? Onde queres que eu me junte a Ti?”

Uma das promessas que Jesus nos faz, para esta vida, é que teremos aflições. Mas, com as aflições, Ele nos dá a Sua presença, a Sua orientação. No meio do meu sofrimento, muitas vezes eu tenho sentido vontade que aquele problema específico acabe. Mas, olhando para trás, eu não seria capaz de abrir mão de nenhuma das minhas dores. Porque foi nos momentos mais difíceis, quando estava verdadeiramente a passar pelo vale da sombra da morte, que eu mais experimentei a presença e conforto do meu Senhor e mais cresci no conhecimento dEle e na fé. Porque posso olhar para trás e ver que naqueles momentos Ele foi fiel. Ele esteve lá ajudando-me e ensinando-me. Gosto muito especialmente das promessas que ele faz em I Coríntios 10.13: o sofrimento que Ele permite na minha vida nunca será maior do que a minha capacidade para o suportar, e mais… com o sofrimento, Ele dá também o escape, a força, o discernimento, a graça. A única maneira de verdadeiramente conhecermos a graça de Deus é na dor. E essa graça é a única maneira de atravessarmos as nossas mais profundas dores. O nosso sofrimento, na verdade, não é uma tragédia, mas uma oportunidade para melhor conhecermos a Deus e para aprendermos a lidar com esse tipo de situações. E provavelmente Deus irá usar esse nosso conhecimento para nos levar a ajudar outros que estejam a sofrer.
De qualquer forma, e sejam quais forem as circunstâncias, Deus espera sempre que tenhamos a atitude correcta. Porque, na verdade, não obedecer é não crer. É isso mesmo: se eu não obedeço é porque não creio que a Sua vontade seja a melhor opção. Mas a vontade dEle é muito mais do que isso: é a única opção que conduz à vida. Os outros caminhos só nos levam a maior sofrimento e destruição.

A um sofredor o que é que eu posso levar? Simpatia, compreensão, amor? Certamente! Mas muito mais do que isso. É preciso levar-lhe o poder transformador da Palavra. É esse o desafio do Aconselhamento Bíblico: pegar numa pessoa destroçada ou mesmo em alguém que tem um rótulo, e guiá-la ao longo da transformação que Deus quer operar na vida dela. Não é estimular uma atitude passiva e sofredora mas ajudá-la, passo a passo, a seguir a orientação de Deus para esse problema específico. Ajudar a pessoa a procurar o tipo de libertação que Deus quer operar na sua vida. E ensiná-la a atrever-se a brilhar com a Sua luz.

Deus usa o sofrimento para nos moldar e aperfeiçoar, para nos tornar instrumentos úteis para o Reino. É através do sofrimento que eu aprendo a depender dele e não de mim próprio. A minha âncora, o que me mantém firme, não é a expectativa de que os problemas vão embora, mas o Seu amor imutável do qual ninguém me poderá separar.
Precisas de avaliar o teu sofrimento à luz da realidade do Reino, que é algo imenso, do qual tu, se és filho de Deus, fazes parte. Há umas Bodas que estão a ser preparadas. E nós não somos simplesmente convidados – somos a própria Noiva.

Viver livres de sofrimento? Talvez fosse interessante. Mas há algo muito maior para nós: vivermos cada momento para a glória de Deus e desfrutarmos dEle para sempre.
In Lar Cristão, Jul a Set 2007