Muda sua vida...hoje!

Lisboa Counselling
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Percurso (1)

 

 

 

 

 

 

Só vais chegar onde desejas, se escolheres um percurso que te leve lá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como funciona? 

No início, este percurso pode parecer um pouco estranho e anti-natural. Nós estamos muito influenciados pelo nosso ambiente cultural, que nos estimula a esclarecer as coisas, a colocar as cartas na mesa. Mas, como vimos no artigo anterior, este tipo de estratégia vai agravar o problema e criar maior divisão entre o casal.

 

O nosso percurso é precisamente o oposto. É focar nos aspectos positivos e começar a ter atitudes mais corretas… mesmo que não apeteça. Não é fingir, nem enterrar a cabeça na areia mas perceber que, para mudar a relação e as emoções, é preciso começar a construir, pouco a pouco. São pequenos passos, mesmo coisas banais. Pequenas mudanças na forma de comunicação, reduzindo a agressividade e, em vez disso, usando palavras cordiais.

 

Competências de comunicação  

Esta abordagem ajuda a perceber que ainda ambos estão “pouco habilidosos” na sua forma de falar, e aceitar isso, percebendo que é uma fase e que, pouco a pouco, a comunicação se vai tornando mais fácil. As atitudes mais positivas que cada um vai tendo, provocam menos aversão da parte do outro, fazendo com que seja mais fácil também para este “recolher as garras” e agir com mais suavidade. Aí, ambos começam a verificar que até conseguem e que é bem mais fácil comunicar assim do que com toda a raiva exposta. A relação torna-se mais leve e há menos danos colaterais (que muitas vezes afectam os filhos, que não deviam estar a receber as consequências dos conflitos dos pais).

 

Utopia? 

Podes pensar que isto é uma utopia e que, no teu caso, simplesmente começares a ter uma comunicação mais positiva não irá mudar a situação. É verdade. Um casamento que já não funciona, ou que entrou num processo de grande crise porque aconteceu algo grave, não se “cura” apenas dizendo algumas palavras delicadas de vez em quando. No entanto, o que eu estou a falar não é de usar umas palavras delicadas mas de uma mudança no estilo de comunicação. São competências desenvolvidas para a tua situação específica, treinadas e implementadas passo a passo, percebendo o que está a trazer mudança e planeando os passos a seguir.

 

Consolidação  

Toda esta abordagem pode parecer demasiado simplista, mas é um percurso planeado e o aspecto leve e “banal” faz parte desse planeamento. Essa leveza ajuda a reduzir o desgaste emocional e mental que já ambos têm. Há um foco na mudança e nos alvos a alcançar, mas também em reduzir os custos e aumentar a eficácia. Os “extras” tóxicos e destrutivos, como preocupação, ansiedade, ira, memórias desestabilizadoras, etc, vão sendo geridos e reduzidos, de forma a diminuir o desgaste desnecessário de energia.

E para conseguir toda esta mudança, com um investimento mínimo, em pouco tempo e sem riscos de que a situação piore, precisamos de fazer um percurso bem planeado e focado. Para isso, há alguns temas que são fundamentais. Um desses temas, é o da consolidação, o de “agarrar” as mudanças já alcançadas.

O que é que isso significa? Talvez já tenhas usado uma estratégia positiva, por exemplo palavras mais agradáveis, e nesse momento as coisas até ficaram mais suaves. Mas depois voltou tudo ao mesmo – as gritarias, o atirar à cara, cobrar, manipular, etc. A conclusão lógica, seria de que não valeu a pena. E é verdade, se for feito assim. É um “investimento” (ou um engolir de sapos) para nada.

Mas quando esta estratégia é usada em counselling, tem objectivos muito específicos e definidos, que representam um pequeno passo na resolução do problema. Então, quando corre bem, não podes ficar simplesmente a pensar que já  te livraste daquela situação, ou que o problema ficou resolvido. Precisas de tomar consciência do que conseguiste e de como o conseguiste; qual foi a estratégia que usaste e que vos capacitou a terem uma pequena conversa ligeira, sem gritarias nem agressão, por exemplo. Então, precisas de consolidar, de agarrar esse terreno que já conquistaste. Precisas de perceber que já consegues esse pequeno alvo, de planear para não o perderes e de continuares a avançar para o próximo.

Ou seja, não são tentativas ao acaso, mas um percurso definido, dando passos que resultam.

 

Superficial?  

Esta abordagem pode estar a parecer-te demasiado superficial. Afinal, conseguirem usar uma comunicação mais positiva, não é suficiente para resolver o vosso problema.

Concordo, claro! Mas o superficial é apenas um dos aspectos que vai ajudar a reduzir tanto a dor como a falta de delicadeza. Aí, estamos a preparar o terreno (leve e arejado) que nos permitirá desenvolver aspectos mais profundos da relação. Antes de investir na profundidade, precisamos que ambos estejam suficientemente habilidosos e dispostos a fazer esse percurso sem voltar a entrar no modo de “golpes baixos”. Quando vamos trabalhar áreas mais delicadas como perdão, quebra de confiança ou outras, não nos podemos permitir ainda ter o saco cheio das munições que usavam antes. No fundo, é perceberem que, para uma relação boa e profunda, não precisam de munições.

 

Percurso 

Os primeiros passos deste percurso, como já estás a perceber, têm a ver com encontrar o alívio, reduzir a agressão, desenvolver a capacidade de estar com o outro e de comunicar sem se agredirem ou sem sentir que é insuportável. Isto só se consegue iniciar num ambiente ligeiro e positivo, em que seja possível cada um não se sentir ameaçado. Não é possível construir este tipo de proximidade, através de “conversas sérias” em que cada um investe em deixar sair toda a mágoa que tem dentro de si.

 

Counselling é muito mais do que uma terapia. É um estilo de vida, uma mudança radical de visão e de forma de agir. É a liberdade de escolheres como queres agir e o que queres fazer, em vez de seres controlado e dirigido pelas tuas emoções e impulsos.

TC

 

Psicologia vs Counselling

O que mais distingue o counselling da psicologia, é a direcção que cada uma delas segue. A psicologia, nas suas várias escolas e abordagens, foca em analisar e perceber o problema, as suas causas, os “traumas” a ele associados, os responsáveis, etc. E durante este processo, eventualmente, o paciente irá alcançando alguma mudança ou melhoria na sua situação. Este tipo de abordagem faz com que muitas pessoas evitem começar o processo, por medo de que a situação fique pior. Em muitos casos, este medo é justificado pois, ao analisar o problema, o paciente pode verificar que ele é muito mais grave do que pensava ou, as emoções expostas e não devidamente geridas, podem levar a um agravamento, principalmente em casos de um quadro clínico ou de conflitos.

A psicologia positiva, nas suas tendências mais recentes, já vai fazendo uma abordagem mais activa, aproximando-se ligeiramente do trabalho do counselling.

 

Counselling faz exactamente o percurso inverso. O foco não é perceber, mas resolver.

Quando uma pessoa chega até nós “dorida”, os primeiros passos são, naturalmente, para lhe trazer alívio. Seja qual for o problema, quando alguém procura ajuda é porque sente que a sua situação já está insustentável. Então, não fará muito sentido aumentar ainda mais essa dor.

 

Esclarecer as coisas!

A tendência, quando há problemas ou surge uma nova situação relativamente grave, é falar, ter uma conversa, esclarecer as coisas. No entanto, provavelmente nenhum dos dois está em condições de ter essa conversa. Na maioria das vezes, essa conversa significa dizer ao outro tudo o que se pensa dele, com acusações, ameaças e, frequentemente, afirmações que passam muito para além do que aconteceu na realidade, num clima de desrespeito em que cada um tenta agredir e magoar o outro o mais possível.

Esta estratégia poderá ter algum resultado, se o objectivo for exacerbar as culpas e “esclarecer” toda a feiura do que aconteceu. No entanto, se o alvo é uma restauração da relação, esta tentativa de “conversa” é desastrosa.

E porquê?

Numa situação de conflito e desgaste, seja qual for a causa, nenhum dos dois estará em condições ou terá as competências necessárias para ter uma conversa construtiva. As emoções estão ao rubro, a mágoa no seu nível máximo e a comunicação bloqueada num estilo tóxico ou mesmo venenoso. Uma “conversa” só irá aumentar o desgaste e a gravidade do problema.

Então, antes de procurarem ter essa conversa séria, é importante desenvolverem algumas competências de comunicação positiva (de preferência os dois). Só assim conseguirão falar de forma focada, construtiva e sem se agredirem. Isto não é natural no ser humano.  Por isso, tem que ser treinado.

 

Quais as vantagens de uma abordagem positiva?

A primeira grande vantagem, é cada um aprender a parar e inverter o processo destrutivo em que se encontram. Trabalhando para restaurar, em vez de analisar o problema, reduz-se o risco de agravamento da situação e aumenta-se muito a possibilidade de restauração.

 

Enterrar a cabeça na areia?

Não! Isto não é enterrar a cabeça na areia, de todo. Pelo contrário, é estar mais consciente dos vários aspectos (inclusive dos positivos) e escolher caminhar no lado positivo, influenciando e estimulando este e levando os aspectos negativos a diminuir. É uma escolha informada, intencional e focada, não na resignação mas na mudança.

 

O alvo do LisboaCounselling, em Terapia de Casal, não é ajudar-vos a recuperar a relação que tinham antes, mas a desenvolver uma nova relação, mais profunda, equilibrada e agradável. É construir uma nova relação… com o mesmo “velho” parceiro.

 

O impossível pode tornar-se alcançável. Dá uma nova chance ao teu casamento!

Pensamento

 

 

 

 

 

 

 

Não gastes a tua energia a analisar a situação, a tentar perceber porque é que aquela pessoa está a fazer isso, achar que é injusto isso acontecer contigo ou qualquer outra “actividade” que seja perfeitamente inútil nessa situação.

 

Nós vivemos numa sociedade ainda muito influenciada pelas correntes da psicologia do fim do século passado. Assim, parece que o mais importante é percebermos as razões do abuso, entendemos os meandros recônditos da mente de pessoas que mostram atitudes destrutivas e compreender que “traumas” do passado as levam a agir assim. Tudo isto poderia ser até muito interessante mas, enquanto estás nessa onda, manténs-te numa situação de risco que pode vir a ter graves consequências.

 

Eu costumo dizer que o trabalho em counselling é muito parecido com o trabalho dos bombeiros quando chegam a um fogo. O objectivo deles não é perceber as causas do incêndio ou se alguém o ateou, mas resgatar com vida as pessoas que estão dentro do edifício em chamas. “Perceber”, será mais tarde, quando já não houver ninguém em risco.

Da mesma forma, em counselling, o objectivo é ajudar os nossos clientes a resolver o seu problema, a sair da sua situação de dor, a gerir riscos de forma consciente, informada e eficaz. O processo de entender o problema, vai acontecendo de forma natural enquanto o vamos resolvendo e ultrapassando. O foco é resolver — perceber, é um benefício paralelo que vem aliado ao nosso trabalho de resolução.

 

Uma pessoa que está a perseguir-te de forma persistente e de quem não te consegues livrar com uma “sacudidela”, está a colocar a tua segurança em risco (podes ler mais informação acerca destes aspectos nos anteriores artigos desta série). Então, precisas de agir. O que podes fazer?

 

Gestos práticos 

. Partilha

Um dos aspectos mais importantes em qualquer tipo de violência pessoal (como o stalking), é não ficares sozinho nessa situação. Não permitas que isso permaneça em segredo. Por mais absurdas, embaraçosas ou vergonhosas que sejam as atitudes ou palavras do teu stalker, precisas de as partilhar com alguém. Conta o que se passa a alguns colegas ou amigos.

. Evita situações ou locais possivelmente perigosos

Procura não andar sozinho em locais isolados nem estar a sós com o teu stalker. Tenta não entrar em conversas com ele nem lhe passar informações pessoais (o que vais fazer, com quem vais estar, etc).

. Não te mostres assustado

Esta é uma situação de risco. No entanto, mostrares medo vai aumentar o risco, pois pode mostrar ao teu perseguidor que estás vulnerável e encorajá-lo a ter atitudes mais audaciosas.

 

Não tentes “criar ondas” 

O protagonista de uma situação de violência pessoal é sempre uma pessoa potencialmente perigosa. É alguém extremamente hábil em todo o tipo de estratégias abusivas, como manipulação, chantagem e outras formas de pressão (apesar de a maioria deles parecer o oposto).

Então, não tentes atacá-lo ou pressioná-lo. NÃO lhe digas que ele é um agressor ou um criminoso. O objectivo não é fazeres com que ele entenda (ele sabe muito bem o que está a fazer), mas saíres dessa situação. Não o confrontes! – não é por aí que vais resolver a situação.

Se necessário, procura ajuda profissional.

 

Abordagem de counselling 

O trabalho em counselling começa pelo fortalecimento emocional e mental de quem está a ser vítima deste tipo de pessoas. Ao mesmo tempo, vamos desenvolvendo e treinando skills e estratégias para lidar com cada situação específica. São abordados os riscos reais que a pessoa pode estar a correr, e as estratégias para os reduzir ou eliminar, assim como identificação de recursos que poderão ser usados ao longo deste processo.

Normalmente é necessário fazer todo um trabalho interior de recuperação da auto-imagem e do bem-estar. E, enquanto este processo dura, ajudar a encontrar o equilíbrio entre a gestão consciente de riscos e a capacidade de viver uma vida plena, sem medos constantes.

 

Stalking não é apenas uma pessoa “melga”. É crime e pode ter graves consequências para a tua vida. Se estás numa situação dessas, precisas de agir para saíres dela.

No LisboaCounselling podes encontrar este tipo de ajuda, numa abordagem positiva e de baixo risco. Contacta-nos!

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Uma vítima de stalking é levada a viver num estado de medo permanente, que afecta seriamente a sua capacidade de visão e análise.

 

Confusão  

Uma das principais consequências é o desequilíbrio emocional e mental que se vai desenvolvendo na pessoa. Sendo levada a viver em medo permanente, esse tema acaba por ocupar a maior parte do seu “tempo de antena” mental. Por um lado, é difícil ela não pensar na pressão e perigo, porque estes são reais; mas, por outro, esta consciência a tempo inteiro acaba por ir levando a uma deformação do seu estado mental, que ela pode sentir como um “enlouquecimento progressivo”. Este medo e constante necessidade de usar de estratagemas para tentar manter-se fora das vistas e do alcance do stalker, acabam por afectar tanto a sua vida pessoal como profissional, prejudicando outros relacionamentos e mesmo o seu desempenho.

 

Difamação 

O medo de ser difamada, de que outras pessoas saibam determinadas coisas (que podem ser verdade ou não) tem um poder enorme sobre a vítima. Esse medo já faz grande parte do “trabalho”, uma vez que a principal estratégia do stalker é esse ambiente de terror constante, que deixa a sua vítima no estado mental que ele quer.

No entanto, a difamação pode acontecer, por exemplo no local de trabalho, em que vão surgindo evidências (criadas por ele) de que a vítima cometeu algum erro ou fez algo de grave ou proibido, juntamente com pequenos comentários que ele parece ir deixando escapar e que vão criando um quadro na mente dos outros, contra aquela pessoa.

A difamação também pode ser feita em outros meios, como as redes sociais. Em qualquer dos casos, ela é usada para destruir e pode ter consequências dramáticas na vida dessa pessoa, desde rompimento de outros relacionamentos, início de conflitos graves de outras pessoas contra ela, despedimento do emprego, entre outros.

 

Destruição de propriedade 

Quando o stalker está geograficamente próximo da sua vítima (por exemplo se é um colega de trabalho ou de escola) a agressão pode também atingir objectos da vítima. Isso pode tomar a forma de pequenos roubos, normalmente de coisas sem grande valor monetário mas que são muito importantes para a vítima – por exemplo o roubo de um trabalho na véspera de este ter que ser apresentado. Por vezes também há danificação de propriedade dela, como riscar o carro ou cortar o pano do chapéu de chuva. Uma das características, é que estas coisas são feitas de forma que a vítima perceba que foi o seu agressor quem fez isso. O objectivo destas acções não é ficar com o objecto dela nem simplesmente ter o gozo de lhe estragar alguma coisa, mas aumentar e manter o estado de terror em que ela vive.

Todas as suas atitudes são intencionais e têm um propósito de terror e poder.

 

Vida 

Este pode ser um risco pouco comum e nunca esperamos que venha a acontecer. No entanto, em quase todos os crimes, o testemunho das pessoas que conheciam o criminoso é que aquele acto nunca seria de esperar daquela pessoa. Muitas vezes eles são pessoas vistas como positivas, simpáticas, ajudadores. Na maioria do feedback que as pessoas conhecidas dão deles é que eles não pareciam capazes de fazer mal a alguém.

Infelizmente, a influência das filosofias destas últimas décadas, leva as pessoas a acreditarem que o ser humano tem uma natureza boa dentro de si. Então, a explicação natural para estes crimes, parece ser que “a pessoa se passou da cabeça” (sabe-se lá porquê) e que foi levada a ter aquele comportamento. Esta forma de pensar é extremamente grave, porque leva a que muitas pessoas estejam a viver uma situação de alto risco, sem terem consciência disso.

Um bully, seja qual for a forma de abuso que ele escolhe, é um criminoso. É verdade que a maioria deles não mata ninguém. Eles não estão interessados em terem que lidar com as consequências dos seus crimes. Então, provocam a maior destruição possível, sem correrem o risco de ser apanhados, sem “sujarem as mãos”. No entanto, em algumas situações, este bully pode ter uma atitude mais dramática, não porque perdeu a cabeça (eles não perdem a cabeça), mas porque o quis fazer. E perde-se a vida de uma pessoa, no fim de uma situação que poderia, e deveria, ter sido identificada e resolvida muito tempo antes.

 

Um bully, seja qual for a forma de abuso que ele use, é um criminoso e sempre deixa atrás de si um rasto de destruição e morte.

Não corras riscos!

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Stalking é uma forma de agressão extremamente camuflada.

 

Este tipo de agressor, normalmente começa por se mostrar muito disponível para apoiar a pessoa que escolheu como alvo. É atencioso, agradável, respeitador. Tem muita facilidade em perceber o que a sua vítima precisa ou deseja e preenche essas necessidades. Numa primeira fase, parece ser a pessoa ideal para ter ao lado.

 

Com o tempo, esse “apoio” começa a tornar-se constante, frequentemente usando o pretexto de estar sempre disponível para ela, o que parece ser uma coisa positiva mas já começando a criar alguma pressão – se ele está disponível a tempo inteiro, a sua vítima tem a obrigação de se sentir agradecida e de valorizar e aceitar essa disponibilidade.

 

Ele vai tendo atitudes cada vez mais invasivas, embora sempre com o pretexto de “ajudar” ou “proteger”. Como na maioria das outras situações de bullying, esta manipulação e controlo constante, apresenta-se com “roupas bonitas” — o que ele está a fazer é para bem dela ou as atitudes que ele a está a forçar a ter são para o bem de alguém (da própria vítima ou de outros).

 

Culpa

Também aqui, um dos grandes factores de poder do bully, são os sentimentos de culpa que ele consegue provocar na vítima, de cada vez que ela pensa “mal” dele ou pensa em se afastar. “Eu sinto-me uma ingrata por me querer afastar de quem só quer o meu bem”, é um comentário que oiço frequentemente.

Outra estratégia, é usar qualquer coisa de errado ou menos positivo que a vítima tenha feito, como uma forma de chantagem.

 

Medo

Na maioria dos casos, é só quando a vítima começa a tentar afastar-se da sua presença e controlo ou quando tenta não aceitar algum convite que ele faça, que ele começa a ter atitudes mais agressivas. Pode mandar mensagens, telefonar ou aparecer nos momentos mais inoportunos. A comunicação começa a ter ameaças relativamente veladas ou subentendidas que se vão tornando cada vez mais abertas e descaradas. À medida que a vítima vai ficando dominada pelo medo, ele usa esse medo para controlar a sua mente a tempo inteiro. A maioria deles são altamente habilidosos nestes “jogos” de comunicação, e muitos adoram aterrorizar a sua vítima em público, dizendo ou fazendo coisas que só ela percebe como sendo uma ameaça e que aos olhos das outras pessoas parecem não ter nenhuma má intenção. Isso aumenta o medo da vítima (e também o risco) uma vez que ela verifica que ninguém estará disponível para a ajudar se ela precisar de socorro.

 

Confusão

Os jogos de terror que este bully usa, acabam por gerar um estado de confusão na mente das suas vítimas, fazendo com que elas duvidem da sua própria sanidade mental. Tudo isto é intencional e uma ferramenta para garantir o seu poder sobre elas. Em alguns casos, podemos mesmo encontrar palavras que são ditas e depois negadas, ou situações que acontecem e também são negadas ou distorcidas de forma a formarem uma história muito diferente do que aconteceu na realidade. Esta estratégia é muito usada para ir “comprovando” à vítima que ela não está bem da cabeça, que está a enlouquecer.

 

Isolamento

Tal como nas outras formas de bullying, este agressor vai tentando isolar a sua vítima das outras pessoas, sejam família sejam amigos. Esta é uma estratégia comum a qualquer predador, isolar a sua vítima para mais facilmente a poder destruir. Para isso, ele tanto tenta pressioná-la para que ela não esteja com as outras pessoas (usando pretextos e justificações que parecem lógicos e até correctos), como faz com que ela pareça mal perante os outros, tenha atitudes absurdas, faça coisas erradas, etc, de modo a que os próprios amigos se vão cansando e afastando dela.

 

É fácil, e relativamente rápido, estas pessoas ficarem completamente à mercê do seu agressor. Muitas acreditam que a sua vida passou a ser mesmo assim e que nunca irão conseguir libertar-se dessa situação. Muitas nem se atrevem a pensar nisso, com medo que ele lhes “leia o pensamento” e que surjam retaliações.

No próximo artigo, vou falar acerca dos riscos que estas pessoas podem estar a correr.

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“O João faz a diferença na minha vida.” Passados poucos meses, esta afirmação continuava a ser verdade, mas com um significado terrivelmente oposto.

Quando a Rita entrou na empresa, o João foi o colega mais presente. Ajudou-a a ambientar-se, a resolver problemas, a conhecer as pessoas, … ela sentia que ele era o seu “ajudador”. Ele começou a mandar-lhe mensagens  e a telefonar-lhe, mostrando-se sempre muito cordial e disponível.

Com o passar dos dias, as mensagens e chamadas foram aumentando. Ele ligava-lhe a perguntar onde ela estava, o que estava a fazer. Ele começou a aparecer à frente dela nos sítios mais imprevisíveis, fazendo com que ela pensasse como é que ele teria descoberto que ela ia estar ali. Sentiu-se um pouco aliviada por ter percebido que havia algo de errado antes de lhe ter dito onde vivia. Mas pouco depois, ao voltar para casa depois de um jantar, encontrou-o à porta dela, à sua espera. Ele começou a “cobrar”, a querer que ela lhe dissesse sempre onde estava e com quem estava. A presença dele tornou-se uma constante, em qualquer lado onde ela fosse, ele sempre aparecia.

Quando a Rita procurou o LisboaCounselling estava a viver uma situação de verdadeiro terror.

 

 

O António manda frequentes sms à Sónia, mesmo a meio da noite. Faz comentários acerca de algo que ela acabou de fazer ou do local onde ela está. Ela tenta fazer as coisas sem que ele saiba, mas ele sempre parece descobrir. Tem-se apercebido que o seu maior desejo, a cada momento, é “que ele não me encontre, que não saiba onde estou”.

Já não sabe se ele está a conseguir vigiá-la a tempo inteiro ou se é ela que está a enlouquecer.

 

 

O Samuel separou-se recentemente e está a passar um momento difícil. A Cristina começou a disponibilizar-me para o apoiar. No princípio sabia bem conversar um pouco ao fim do dia de trabalho, antes de enfrentar a solidão da sua nova casa. Mas esse apoio começou a tornar-se quase uma obrigação. Ela começou a ir perguntando onde ele esteve, com quem esteve. A presença, sms ou e-mails dela tornaram-se uma constante. Quando ele tentou criar um pouco de distanciamento, foi acusado de ingrato, insensível e de querer usá-la só quando precisa. E a pressão da presença dela aumentou.

 

 

A Susana telefona à Marta todos os dias. São amigas de longa data. A Susana sempre parece estar com alguma dificuldade, algum problema para partilhar ou algum momento depressivo. Quer partilhar tudo com a Marta e que esta faça o mesmo com ela. A Marta sente-se sufocada. É constantemente pressionada por sentimentos de culpa, agravados pelas acusações de que “não és minha amiga; se fosses, ias estar disponível para me apoiares”. É difícil a Marta sair com outras pessoas sem incluir a Susana e, quando o faz, isso é-lhe atirado à cara durante meses.

 

 

Quando a Patrícia se separou do namorado, o Carlos, um antigo amigo, começou a mandar-lhe mensagens. No início era simpático e não parecia haver nada de estranho. Era muito atencioso e tinha muita facilidade em a compreender, em perceber o que ela estava a sentir. Mas as mensagens começaram a aumentar e a surgir a qualquer hora. Quando ela não respondia, ele ou ficava a “falar sozinho”, mandando mais mensagens no seguimento da “conversa”, assumindo que ela estava a concordar com o que ele dizia ou, pelo contrário, começava a pressioná-la e a dizer que ele estava com as melhores das intenções, que apenas queria ajudar.

 

 

À medida que as mensagens do Bruno começaram a aumentar de frequência, a Sofia começou a não responder. A presença dele, que no início tinha sido muito agradável, tornou-se um sufoco constante. Ele deixou de ser cordial e começou a cobrar de todas as vezes que ela não respondia às suas mensagens. Essa cobrança e acusações (de ingrata, insensível, etc) aumentaram e foram tomando a forma de ameaças, no início pouco óbvias e até ditas com humor. Num dia à noite, quando vinha de um jantar de trabalho que tinha sido recheado de mensagens do Bruno, às quais ela obviamente não tinha respondido, encontrou o seu carro com um pneu cortado. As mensagens tornaram-se mais cruéis, ora ofensivas ora ameaçadoras. Quando ele começou a ameaçar fazer coisas aos filhos dela, ela procurou a ajuda do LisboaCounselling.

 

 

“Já não aguento mais! Acho que estou a enlouquecer!”  São as primeiras palavras da Raquel quando chega junto a mim.

Da conversa e companhia agradável, o Gonçalo passou a mensagens constantes, depois a ameaças e agora a acções – a  lateral do carro dela riscada, pneus furados, coisas que lhe desaparecem e outras coisas que são colocadas na sua carteira sem ela perceber como. Passa o tempo a tentar manter-se fora do alcance dele, mas ele “parece ter faro” e sempre sabe onde ela está ou o que está a fazer.

Sente que está a entrar em ruptura emocional. Chora por qualquer coisa, sobressalta-se ao mais pequeno ruído, tem pesadelos todas as noites e de manhã acorda exausta.

 

 

Estes são alguns exemplos de casos que eu tenho encontrado, tanto em pessoas que procuram a minha ajuda, como em workshops e seminários que tenho feito. E trazem sempre a mesma questão: “será que eu estou a ser exagerado? Será que esta atitude (do outro) é normal?”

Não!! Estas atitudes não são normais, embora sejam muito comuns.

Se estás a viver uma situação parecida com estas, isso está a ter um efeito muito destrutivo sobre ti e podes mesmo estar a correr riscos.

 

No LisboaCounselling podes encontrar ajuda para perceberes a situação em que estás e para saíres dela, sem correres mais riscos.

 

Há duas direções opostas de mudança: a de Deus em nós e a nossa em nós próprios.

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Este artigo é um “pensar em voz alta”. É apenas a visão que eu tenho, neste momento, baseada no meu estudo da Bíblia e na minha experiência pessoal de trabalho com “humanos”. Não significa que esteja correcta, nem que não venha a mudar.

 

Direções opostas 

Quando olhamos para a mudança operada por Deus na vida de pessoas, podemos verificar que há uma mudança interior profunda no coração dessas pessoas que, depois, leva a uma mudança não só nas atitudes como na forma de pensar, motivações, alvo de vida, etc. A pessoa é transformada de uma forma global, através do interior, e isso passa a ser visível também no “exterior” da pessoa.

Na direção oposta, temos o nosso trabalho de auto-mudança. E aí, a Bíblia não diz para mudarmos o que sentimos (o que seria impossível), mas as nossas atitudes, o nosso agir, o nosso exterior, de forma a que o nosso interior vá mudando também.

 

E os fariseus?

Percebo que este conceito do “agir”, a nível bíblico, nos traz um sério problema. Então, poderias perguntar, como vamos entender os fariseus? Eles faziam precisamente isso – mudar o exterior, ter as atitudes e comportamentos perfeitos – e no entanto Jesus criticou-os duramente, chamando-lhes sepulcros caiados, que têm o exterior limpo e o interior cheio de morte e podridão.

Mas, quando eu falo de mudança de fora para dentro, é isso mesmo que estou a dizer – mudança. Os fariseus não estavam em mudança nem a desejavam. Eles tinham as atitudes correctas apenas para “parecerem” bem. Eles viviam no orgulho da sua superioridade e não tinham qualquer intenção de mudar o seu coração. Quando eu falo deste conceito de mudança não estou, obviamente, a defender a manutenção de uma imagem exterior. A mudança exterior é apenas uma ferramenta para alcançar a mudança interior.

 

Amor não é algo que se sente, mas que se faz!

Quando Jesus diz para amarmos os nossos inimigos, Ele não estava, obviamente, a dizer para sentirmos coisas agradáveis acerca daqueles que nos maltratam. E Ele deixa isso bem claro – esse amor não é sentir, mas fazer. São os gestos práticos como, diz Ele, dar um copo de água ao nosso inimigo se o virmos com sede. É ter a atitude correcta, falar de forma respeitosa (ou fechar a nossa boca quando temos vontade de dizer mal), fazer aquilo que devemos, mesmo quando não nos apetece.

 

Hipocrisia!!

Isso é hipocrisia, podes pensar. Sim, sem dúvida, pode ser, se o estás a fazer para manteres a imagem correcta, para esconderes o que estás a sentir. Por outro lado, estas atitudes podem ser um primeiro passo num processo de mudança mais profunda. O que define a diferença é a tua motivação.

 

Amor

Quando Deus nos diz para amarmos – a Ele e ao nosso próximo – não pode estar a referir-se a um sentimento. Como é que consegues obrigar-te a ti próprio a sentir algo? No entanto, à medida que vais tendo atitudes mais amorosas em relação ao outro, com intenção, o que sentes por ele também vai mudando.

 

 

Mudança de pensamento

Essa mudança não é apenas nas atitudes. Ela vai-se aprofundando, também através da forma de pensar. Ao longo de toda a Bíblia nós encontramos orientação acerca de como devemos gerir o nosso pensamento. Em Salmos, David diz que deseja que o meditar do seu coração seja agradável a Deus. Na sua carta aos Filipenses, Paulo diz em que devemos pensar. Em muitas passagens da Bíblia nós verificamos que Deus quer, não que sejamos ingênuos e não tenhamos consciência do mal, mas que nos empenhemos em manter o nosso pensamento “limpo”.

Então, a mudança de atitude aliada a uma mudança da forma de pensar e de ver os outros, são ferramentas bastante úteis para ajudar não só na mudança de coração mas também do próprio caráter.

 

Mudança interior 

As boas notícias? Não precisas de continuar a lutar para sentires o que não consegues sentir ou para mudares o teu interior. O desespero e o desânimo só tornam mais difícil essa mudança, levando-te a acreditar que é impossível, que nunca o conseguirás.

Lembra-te – não precisas de sentir, para depois começares a fazer. Podes começar a fazer mesmo enquanto não sentes. Podes começar a ter atitudes correctas mesmo quando ainda não tens vontade.

 

Libertação 

Isto é uma libertação tremenda do poder escravizador das emoções. Muito do que fazes ou deixas de fazer tem a ver com o que sentes e com o facto de acreditares que tens que agir de acordo com as tuas emoções. Para “dares um copo de água”, não precisas de sentir. Só precisas de o fazer. E depois, podes fazer a análise – não foi assim tão difícil. Então, podes avançar para o passo seguinte, para a atitude seguinte. Passo a passo, aproximando-te mais daquilo que gostarias de ser.

 

Mudança interior é um processo, passo a passo. Acima de tudo, é uma decisão, de crescimento, de maturação, e não apenas de mostrar uma imagem ilusória.

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Inside Out, de dentro para fora, é um conceito de mudança que faz todo o sentido. Esta ideia, de que precisamos de começar a mudança pelo interior, tem sido muito difundida ao longo dos últimos tempos. E, sem dúvida, será a melhor abordagem, se buscamos amadurecimento e mudança interior profunda.

No entanto, na prática, ao procurarmos seguir esse percurso, deparamo-nos com imensos bloqueios, barreiras e retrocessos. O nosso ego está muito bem estabelecido, com conceitos e crenças  profundamente enraizados e não tem um desejo natural de mudar. Para além disso, é especialista na camuflagem, levando-nos a ter uma visão distorcida não só de quem somos, mas também da mudança que supostamente estamos a conseguir implementar em nós.

 

Será indispensável querer?

A maioria das pessoas diria que sim, que, para haver uma transformação interior, a pessoa tem que estar disposta a isso. Eu até concordo. Mas, a nível do meu trabalho, isso traz um sério problema. A maioria das pessoas que me procura, na verdade não quer mudar. As pessoas querem alívio, que eu as ajude a resolver o seu problema, que lhes tire a sua “dor”. Pela lógica do Inside Out, estas pessoas estariam desqualificadas à partida e a atitude mais correcta da minha parte, penso, seria recusar trabalhar com elas.

 

Orgulho?!

A minha possível atitude que eu referi no parágrafo anterior, traz-me um problema (pelo menos aos meus olhos). Quando eu acho errado que as pessoas não queiram mudar, na realidade, estou a colocar-se num nível muito acima do delas – eu, que já mudei tantas coisas em mim própria, que sou especialista em mudança interior nos outros, etc, etc. Ou seja, eu / nós que valorizamos a mudança interior, somos (aos nossos olhos) qualificados para dizermos que os que aparentemente não querem mudar estão desqualificados para o fazer. E esta atitude de acharmos que estamos num nível acima dos outros, para além de mostrar alguma dose de orgulho, também é um dos principais factores da auto-cegueira.

Por outro lado, as pessoas que dizem querer mudar e que se esforçam por alcançar mudança, também têm que lutar com a realidade de dar os passos para a mudança, havendo pontos de resistência, de retrocesso e de eu as levar a ir “avançando” etapa a etapa, à medida que vão tendo mais capacidade para o fazerem.

 

Outside In

O nosso interior mais profundo nunca quer mudar, mesmo que racionalmente nós já estejamos dispostos a fazê-lo. Aí, nós temos dois percursos possíveis: continuar a tentar mudar o interior (o que é muito mais difícil e menos provável) ou começar a trabalhar o exterior e avançar a partir daí.

E como é que isso funciona? Podes começar a mudar pequenos aspectos, por exemplo na tua atitude; começares a falar com mais delicadeza e a ser mais agradecido. Começares a agir de forma correcta ou positiva, mesmo quando não te apetece, … Pouco a pouco começas a perceber que consegues e que nem é assim tão complicado. E o teu sentir também começa a mudar. Começas a ver as coisas de uma perspectiva diferente, a ser menos o centro do universo. Começas a perceber que muitas das coisas que achavas graves, até nem são assim tão importantes.

Aí, começa a haver uma maior disposição para mudares. Começas a perceber que já mudaste algumas coisas (mesmo que tenha sido apenas nas atitudes e forma de agir exterior), e que não “perdeste nenhum bocado” por causa disso. As pequenas mudanças exteriores, implementadas e trabalhadas com perseverança, começam a influenciar o interior, que começa também a mudar: a perspectiva, a visão, as crenças, auto-imagem e noção do outro, etc.

 

As mudanças exteriores começam a mudar não só a visão e a consciência, mas também as emoções e os sentimentos. É uma mudança de fora para dentro. É deixar de lado o que seria ideal, para avançarmos através do que é possível… e assim alcançarmos o ideal.

 

A mudança de fora para dentro, pela minha experiência, é mais fácil, mais rápida e muito mais provável de realmente se concretizar do que a de dentro para fora. No entanto, não é espontânea. Ela exige uma intenção, planeamento e trabalho perseverante para ser alcançada. Enquanto eu ajudo os meus clientes a resolverem o problema que os trouxe até mim, seja ele qual for, há um trabalho de coaching, de desenvolvimento, treino e implementação das novas competências e ferramentas que levarão à mudança, primeiro nas áreas mais superficiais e, a partir daí, avançando para a mudança interior.

 

No próximo artigo vou falar um pouco acerca da perspetiva espiritual desta noção de mudança “de fora para dentro”. Fica atento!

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“Um ser humano é como é. Não muda!”

Esta é uma afirmação que eu oiço com frequência. Muita gente acredita nesta ideia de que cada um é assim mesmo, não tem que mudar nem tem (por essa linha de raciocínio) possibilidade de o fazer. No entanto, basta olharmos um pouco à nossa volta, para nos apercebermos de tremendas mudanças na vida das pessoas.

 

Mudança “pela força”

Vivemos numa época em que grande parte da população mundial está a passar por mudanças dramáticas e a uma velocidade que seria impensável há alguns anos atrás. Pessoas que entram em crise, financeira ou outra; que trocam o seu país por uma cultura completamente diferente, para fugirem da guerra, da perseguição, ou para buscarem o sustento; pessoas que assistem a mortes inesperadas e que, de um dia para o outro, têm que assumir um papel para o qual ainda não estavam preparadas, … Há situações em que a vida de uma pessoa muda de tal maneira, que ela tem que mudar mesmo muito para se adaptar à sua nova situação.

 

Genes e temperamento

Mas então, qual é o papel dos genes e do temperamento? Não é verdade que cada um de nós nasce com determinado temperamento – que não escolheu?

Sem dúvida! Cada pessoa tem gostos, tendências, atitudes, que são bastante evidentes desde muito cedo. E também é verdade que, se nós percebermos o temperamento de uma pessoa (o nosso ou de outros) podemos muito mais facilmente lidar com ele. No entanto, não podemos esquecer que os humanos (ao contrário dos animais) foram criados com livre arbítrio. Nós temos possibilidade de escolha. Isso significa que temos a possibilidade de decidir o que vamos fazer com o temperamento que temos. Ou seja, o temperamento é uma base que nós podemos desenvolver e moldar.

 

Adaptação

Grande parte das mudanças por que passamos têm a ver com a necessidade de adaptação. Estou a lembrar-me de um comentário que um amigo brasileiro fez recentemente, acerca do mau atendimento que era bastante comum em Portugal, há dez ou vinte anos atrás. Com certeza muitos de vocês ainda se lembram de, ao entrarem numa loja, sentirem o empregado a olhar para vocês com aquele ar de “Que seca! Vem aí outro cliente!” Ou, num café, se o empregado estivesse por alguma razão desagradado convosco ou com o vosso grupo, pôr os copos das bebidas em cima da mesa com tão mau modo, que a bebida salpicava por fora do copo. Com a crise prolongada e a vinda de pessoas de outros países, dispostas a trabalhar com melhores modos, também os antigos empregados dos estabelecimentos foram aprendendo maneiras mais delicadas.

 

Síndrome de Gabriela

Claro que, para a maioria das pessoas, a mudança é algo que não apetece. É muito mais fácil continuarmos como estamos. E a ideia de “temperamento” serve como um óptimo pretexto para a pessoa continuar a fazer as coisas como quer, dizendo que não consegue mudar, que já nasceu assim. Isso é aquilo a que eu chamo “síndrome de Gabriela” que cantava “eu nasci assim, sou mesmo assim, vou ser sempre assim”.

 

Quem beneficia?

A maioria das pessoas que acha que não tem que mudar, tem hábitos negativos (por vezes muito) que prejudicam aqueles com quem lida, sejam familiares sejam colegas de trabalho. E são esses hábitos negativos que eles não estão dispostos a mudar. Mas uma pessoa não é uma ilha; não vive isolada dos outros. As suas atitudes têm um impacto na vida dos outros. Por um lado, isto parece trazer uma grande responsabilidade. Mas, por outro, traz a esperança da mudança. Quando uma pessoa começa a mudar algumas atitudes, vai estar a influenciar os ambientes em que se movimenta, provocando mudança não só em si própria mas também noutros. Quando essa mudança acontece, beneficia a própria pessoa, os outros que lidam com ela e também as interações, os relacionamentos.

 

A mudança, quando somos forçados a isso, é possível. E pode até ser muito positiva! Mas não tem que acontecer só pela força. Hoje em dia, já se tem uma grande consciência da importância do desenvolvimento pessoal. E mudança é isso mesmo – nos desenvolvermos, crescermos, amadurecermos. Pode ser feita de forma intencional e planeada.

No próximo artigo, vamos ver como podemos alcançar essas mudanças que desejamos… ou que precisamos.

O factor mais agravante, no desgaste interior, não é tanto o excesso de trabalho mas o desequilíbrio de energia. Durante milhares de anos, o Homem gastava essencialmente energia física – tudo o que ele fazia era com o corpo, pois não havia meios de transporte nem máquinas para lhe facilitarem o trabalho. Hoje em dia, a maioria das pessoas não gasta energia física. Na maioria das profissões todo o trabalho é mental. Então, há um grande desgaste de energia mental e emocional, quase sem consumo de energia física. Esse desequilíbrio é um dos maiores factores de risco de ruptura.

Bem-estar

Intencional 

O descanso activo tem que ser intencional. É algo que decides fazer para recarregares baterias. Não é preguiçar, mas fazer algo que te ajude a sair do cansaço em que estás. Ou seja, é uma decisão, uma escolha. Não é simplesmente parares porque já não aguentas mais. Neste caso, podes nem conseguir recuperar do cansaço (quantas vezes já passaste um fim de semana inteiro sem fazer nada e chegaste à 2 feira ainda exausto? Isso significa que não estiveste a fazer nada… nem a descansar!)

 

Focado

Se não tens tempo para descansar, precisas de uma estratégia de descanso que seja eficaz. A definição desta abordagem que desenvolvi e a que chamo descanso activo é precisamente a capacidade de descansar com eficácia, num curto período de tempo.

Descansar não é necessariamente parar, mas fazer algo diferente daquilo que te cansou. O que faz toda a diferença é o foco. Ou seja, o principal aspecto desses pequenos períodos de descanso, é “desligares” a tua mente do que te cansou, colocando o foco na actividade que estás a fazer. Por exemplo, toda a gente sabe que caminhar faz bem. No entanto, se enquanto caminhas continuas a pensar no que te preocupa ou no trabalho que tens à tua espera, a única coisa que estás a fazer é exercitar o corpo, enquanto continuas a desgastar ainda mais a tua mente. Podes fazer uma caminhada de duas horas e continuares igualmente cansado.

Talvez estejas a pensar que não consegues tirar da tua mente os pensamentos que te estão a sobrecarregar. Provavelmente já tentaste e verificaste que não é possível. Mas a nossa estratégia em counselling, não é tirar ou empurrar para fora, mas substituir.

 

Então… como descansar?

As estratégias de descanso activo devem ser leves, simples ou até mesmo aquilo que poderias considerar banal. E devem “não estimular” a área que está cansada. Por exemplo, se chegas ao fim do dia com a mente exausta, ficar em frente da televisão a mudar de canal não é uma boa estratégia. Isso vai desgastar ainda mais a tua mente. Neste caso, é mais eficaz escolheres alguma actividade que implique o uso do corpo, alguma coisa que gostes de fazer e que seja apenas física, como caminhar um pouco, regar as plantas, cozinhar, tomar um chá, etc. E como podes desligar a mente do que a está a sobrecarregar? Precisamente colocando o foco apenas naquilo que estás a fazer. Aqui, as ferramentas de mindfulness são uma boa ajuda.

 

Mindfulness 

Tira uns momentos para focares apenas num dos teus sentidos. Podes sentar-te, aquietar o teu corpo, fechar os olhos e procurar apenas ouvir os sons que tens à tua volta. Se a tua mente voltar aos seus temas habituais, não lutes contra isso, mas volta a colocar o foco no que estás a ouvir. No início será difícil ou até estranho mas, com a prática, começa a ser mais fácil focar apenas nessa pequena área e, provavelmente, vais identificar coisas em que nunca tinhas reparado. Ao longo dos dias, procura ir focando em sentidos e detalhes diferentes. Treina o teu pensamento para conseguires focar naquilo que decides, em vez de o deixares a funcionar em auto-gestão.

 

Diversidade e escolha de ferramentas

Counselling nunca pretende dar-te uma “bengala”, da qual precises sempre que queiras descansar ou descomprimir. Por isso, é importante encontrares diversas ferramentas de descanso e escolheres cada ferramenta para o momento ou situação em que estás. Se a tua mente está cansada, será bom fazeres alguma coisa física. Mas se são as tuas emoções que estão mais afectadas (depois de uma conversa difícil ou de estares em situação de grande pressão emocional) sentares a ler um pouco pode ser uma boa opção.

Cada dia procura tirar uns momentos, pelo menos 10 ou 15 minutos, para fazeres algo que gostas e que te ajude a descomprimir das pressões. O resto do trabalho irá correr melhor e estarás a reduzir o risco de entrares em ruptura.

 

O teu cansaço não depende apenas das tuas circunstâncias mas da forma como as estás a gerir. É possível inverteres o teu processo de desgaste interior.

Se queres ter apoio nesse processo de mudança, contacta-nos!