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Lisboa Counselling
Não desperdices o teu sofrimento!

Há algum tempo li um artigo de David Powlison que se intitulava “Não desperdices o teu cancro!” Nós associamos a palavra desperdiçar a algo que é valioso, que é útil, que vale a pena ter e guardar. Mas em relação ao que é terrível? Como é que é possível desperdiçarmos o nosso sofrimento?

Perante a dor, o que Deus te pede não é resignação nem aceitação, mas fé – a certeza de que Ele é Soberano sobre tudo o que acontece (mesmo sobre a tua dor), de que Ele sabe o que é melhor para ti e de que Ele te ama mais do que alguma vez poderás imaginar.
Resignação ou aceitação passiva não é bíblico porque:
– é falta de fé e “sem fé é impossível agradar a Deus”.
De que tamanho é o teu Deus? A Bíblia diz que Deus é o Senhor do
Universo, mas na prática, no nosso viver do dia a dia, o nosso Deus às vezes
pode ser bem pequenino… E a maior consequência disso não é a perda de
bênçãos – é que na verdade perdemos a oportunidade de O conhecermos.
– porque é auto protecção – o mais fácil é não fazer nada.
Durante bastante tempo pensei que ser um pacificador é não fazer nada; ficar
quieto; aceitar. Mas essa forma de pensar não tem qualquer base bíblica.
Deus sempre nos chama a agir, a ter uma atitude activa, a obedecer aos
Seus ensinamentos.
– porque é covardia, falta de coragem para seguir o caminho que Deus mostra.
mas Ele “não nos deu um espírito de temor mas de fortaleza”
– porque é auto compaixão, pretexto para o queixume.

É importante lembrarmos que o nosso sofrimento pertence a Deus, que é um instrumento do Seu propósito em nós e nos outros, e não procurarmos “usufruir” da nossa dor (por exemplo para obtermos a atenção e piedade dos outros, para justificarmos as nossas próprias atitudes erradas, para nos livrarmos de determinados deveres, etc.)

Então, perante o sofrimento, qual é a atitude que Deus quer que tenhamos? Que confiemos na Sua soberania e direcção. Que busquemos um relacionamento mais profundo com Ele e aprendamos a conhecê-lO melhor. Que sejamos fiéis mesmo quando não entendemos. Que desviemos o olhar do nosso eu para Ele, de nós próprios para os outros, porque “fomos confortados, para também confortarmos os outros”. À nossa volta há pessoas que sofrem. Quando lhes levamos o conforto e a esperança de Deus a nossa dor fica mais pequena, passa a ser vista como uma oportunidade de crescimento, de testemunho, de trazer glória a Deus.

Se tu “permitires”, Ele irá tornar a tua dor em lucro. E Ele já fez isso. Ele tornou o maior dos horrores (afinal os Seus seguidores foram abandonados perante a vergonha de uma cruz), no maior dos bens (juntos com Ele, inseparáveis, para sempre).
Deus pode tornar a tua dor em lucro!

Perante um problema tens sempre duas opções: entregares-te à auto piedade e ao ressentimento ou aceitares caminhar com Deus. O autor de Hebreus, em 11.39, diz-nos que os grandes heróis da fé não viram a concretização da fé enquanto ainda estavam vivos. É isso que Deus te desafia a fazer: caminhares no sofrimento pela fá, sem esperares ver o livramento nesta vida. À luz da eternidade, é totalmente irrelevante que o nosso problema actual seja removido ou não.

O objectivo de Deus nem sempre é tirar a nossa dor. Ele diz que a oração de um justo tem poder. Mas o objectivo da oração não deve ser pedir bênçãos e tentar ter uma vida menos difícil. A oração é, acima de tudo, o desenvolver de um relacionamento com Ele. O mais importante não é agradecer e pedir, mas procurar conhecê-lO, procurar discernir os Seus propósitos. Eu sempre fico maravilhada quando penso que Ele, o Grande Eu Sou, quer passar tempo connosco. Ele quer dar-Se a conhecer a nós. E mais… Ele quer mostrar-nos os Seus propósitos e convidar-nos a nos juntarmos a ele no Seu trabalho. Que honra! Então, a pergunta certa nunca será “Porquê?” e muito menos “Porquê eu?”, mas sim “O que é que Tu estás a fazer? Qual é o Teu plano? Onde queres que eu me junte a Ti?”

Uma das promessas que Jesus nos faz, para esta vida, é que teremos aflições. Mas, com as aflições, Ele nos dá a Sua presença, a Sua orientação. No meio do meu sofrimento, muitas vezes eu tenho sentido vontade que aquele problema específico acabe. Mas, olhando para trás, eu não seria capaz de abrir mão de nenhuma das minhas dores. Porque foi nos momentos mais difíceis, quando estava verdadeiramente a passar pelo vale da sombra da morte, que eu mais experimentei a presença e conforto do meu Senhor e mais cresci no conhecimento dEle e na fé. Porque posso olhar para trás e ver que naqueles momentos Ele foi fiel. Ele esteve lá ajudando-me e ensinando-me. Gosto muito especialmente das promessas que ele faz em I Coríntios 10.13: o sofrimento que Ele permite na minha vida nunca será maior do que a minha capacidade para o suportar, e mais… com o sofrimento, Ele dá também o escape, a força, o discernimento, a graça. A única maneira de verdadeiramente conhecermos a graça de Deus é na dor. E essa graça é a única maneira de atravessarmos as nossas mais profundas dores. O nosso sofrimento, na verdade, não é uma tragédia, mas uma oportunidade para melhor conhecermos a Deus e para aprendermos a lidar com esse tipo de situações. E provavelmente Deus irá usar esse nosso conhecimento para nos levar a ajudar outros que estejam a sofrer.
De qualquer forma, e sejam quais forem as circunstâncias, Deus espera sempre que tenhamos a atitude correcta. Porque, na verdade, não obedecer é não crer. É isso mesmo: se eu não obedeço é porque não creio que a Sua vontade seja a melhor opção. Mas a vontade dEle é muito mais do que isso: é a única opção que conduz à vida. Os outros caminhos só nos levam a maior sofrimento e destruição.

A um sofredor o que é que eu posso levar? Simpatia, compreensão, amor? Certamente! Mas muito mais do que isso. É preciso levar-lhe o poder transformador da Palavra. É esse o desafio do Aconselhamento Bíblico: pegar numa pessoa destroçada ou mesmo em alguém que tem um rótulo, e guiá-la ao longo da transformação que Deus quer operar na vida dela. Não é estimular uma atitude passiva e sofredora mas ajudá-la, passo a passo, a seguir a orientação de Deus para esse problema específico. Ajudar a pessoa a procurar o tipo de libertação que Deus quer operar na sua vida. E ensiná-la a atrever-se a brilhar com a Sua luz.

Deus usa o sofrimento para nos moldar e aperfeiçoar, para nos tornar instrumentos úteis para o Reino. É através do sofrimento que eu aprendo a depender dele e não de mim próprio. A minha âncora, o que me mantém firme, não é a expectativa de que os problemas vão embora, mas o Seu amor imutável do qual ninguém me poderá separar.
Precisas de avaliar o teu sofrimento à luz da realidade do Reino, que é algo imenso, do qual tu, se és filho de Deus, fazes parte. Há umas Bodas que estão a ser preparadas. E nós não somos simplesmente convidados – somos a própria Noiva.

Viver livres de sofrimento? Talvez fosse interessante. Mas há algo muito maior para nós: vivermos cada momento para a glória de Deus e desfrutarmos dEle para sempre.
In Lar Cristão, Jul a Set 2007

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