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6.Perdão — E Depois de Perdoar?

“Eu perdoei, mas não posso ficar logo a sorrir e a mostrar boa cara. Ele tem que se lembrar que fez mal.”

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Muitas vezes deparo-me com esta situação de “como agir depois de ter perdoado?” Afinal, se houve uma ofensa grave, parece que não podemos simplesmente passar por cima e esquecer. Isso ia ser injusto! Mas como vimos nos artigos anteriores, o perdão é precisamente isso — desistir da justiça, da cobrança, do castigo do outro.

 

Restauração total

Quando há realmente perdão, isso significa que a dívida que havia foi cancelada, a “nota de débito” foi rasgada e lançada para o lixo. Então, o passo seguinte (tendo em conta que o entrave ao relacionamento foi removido) deve ser a restauração total e imediata do relacionamento.

 

Má cara??

Um dos exemplos mais comuns desta “necessidade” de manter uma má cara, é em relação a filhos pequenos. A mãe ralha, o assunto resolve-se, mas ela acaba por continuar pelo dia fora com aquela cara de quem está chateada, para “ele não se esquecer que fez asneira”. Conheces esta atitude, de supostamente perdoar mas manter um clima tão pesado que quase se pode cortar à faca? Para muitas pessoas esta parece ser uma atitude lógica e correcta. Será lógica, se tivermos em conta a nossa dureza natural, mas não é certamente correcta.

 

Abraço vs permissividade

Perdoar não significa permitir que a atitude errada se repita. Aliás, se permites, estás a ser cúmplice e a colaborar na continuação de um padrão que pode estar a ser destrutivo, para a própria pessoa ou para outros.

Mas não permitir a continuação, não implica frieza. A restauração deve incluir o retomar da proximidade, de um bom ambiente entre vocês, o abraço (se possível), o afirmar a importância desse relacionamento.

 

Compromisso

O perdão é essencialmente uma decisão e um compromisso. Um outro aspecto desse compromisso, para além dos que já referi nos artigos anteriores, é o não permitir que essa situação, que já foi perdoada e resolvida, volte a afectar a vossa relação. Ou seja, se houve um problema, mesmo que grave, e já decidiste ultrapassá-lo, não deves permitir que a lembrança dessa situação venha prejudicar a vossa relação no presente. O que foi arrumado, não deve voltar a ser desenterrado. Isso não é fácil e, mais uma vez, é um processo. Mas é o caminho que precisas de fazer para te libertares da dor da mágoa.

 

Consequências

Apesar de perdoar significar deixar para trás o mal que foi feito contra ti, isso não implica necessariamente que não haja consequências. Se pensarmos no caso de um roubo, por exemplo, é importante o outro repor ou devolver o que roubou. Mas isso não deve afectar o perdão. Ou seja, perdoas, restauras a relação, mas definem uma forma de repor o que foi roubado. A vossa comunicação volta a ficar bem, mesmo enquanto o outro ainda está no processo de repor o roubado.

 

Perdoar e afastar-se?!

Algumas pessoas são tão destrutivas que sabes que não vão mudar. No artigo 3 desta série, falei da importância de perdoar mas não permitir a continuação do comportamento destrutivo. Eu sempre acho que devemos investir em ajudar a relação a mudar, por exemplo através do desenvolvimento e uso de competências de comunicação positiva e da capacidade de influenciar o comportamento do outro. Mas com algumas pessoas, mesmo usando “influencing skills” e assertividade, podemos não conseguir reduzir a atitude negativa ou mesmo agressão. Se esse é o teu caso, tens uma última opção — afasta-te!

Precisas de perdoar, para te libertares da dor. E quanto mais grave foi o ocorrido, mais necessário é que perdoes. Mas se é totalmente impossível acabar com a atitude errada do outro, afastares-te pode ser a opção mais correcta — como uma forma de impedir que a agressão continue, sobre ti ou sobre outros; como uma chance para que o teu ofensor talvez caia em si; como uma decisão de não seres cúmplice num processo destrutivo.

 

Perdoar não é uma opção! É algo que precisas de fazer… quer sintas vontade quer não. É a única forma de te libertares e de voltares a conseguir usufruir da vida.

Quando perdoas, precisas de entrar num processo consciente de cura interior e de decidir o que vais fazer com esse relacionamento: restaurar completamente (sempre que possível) ou afastares-te para não permitires a continuação da destruição.

 

A mágoa é das emoções mais destrutivas que existem em nós. Recusa-te a viver amarrado por ela!

Se precisares de ajuda, ou se quiseres conversar acerca deste assunto, contacta-nos!

 

 

 

 

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